Criar em casa um ambiente que alimenta a imaginação do seu filho
A imaginação das crianças não cresce com brinquedos caros nem com «kits de estimulação». Na verdade, alimenta-se de algo muito mais simples: espaço, tempo e confiança. Todos já vimos uma criança construir um mundo inteiro com uma caixa, um cobertor e umas quantas horas livres. A boa notícia é que transformar a sua casa numa oficina de criatividade não exige nem um grande orçamento nem uma organização perfeita. Alguns pequenos gestos, feitos com intenção, costumam bastar. Vejamos juntos como criar em casa um ambiente que alimenta a imaginação de forma natural.
Deixar «aborrecer-se» é o primeiro passo para a criatividade
Muitos pais sentem-se culpados quando o filho diz «Estou aborrecido!» e recorrem logo a uma atividade ou a um ecrã. No entanto, o aborrecimento é aquele campo baldio onde germina a imaginação. Quando nenhum estímulo chega do exterior, a criança é obrigada a voltar-se para o seu mundo interior — e é precisamente nesse momento que começa a inventar brincadeiras.
Pode experimentar assim: reserve uma parte determinada do dia como «tempo sem programa». Durante esse período, não diga ao seu filho o que deve fazer; deixe-lhe apenas um espaço seguro e uns quantos materiais. É perfeitamente normal que os primeiros minutos sejam inquietos; se tiver paciência, verá que o aborrecimento dá lugar, na maioria das vezes, a uma brincadeira surpreendentemente rica.
Manter os materiais visíveis e ao alcance
A criatividade cresce quando a inspiração está «à mão». Se os lápis de cor estiverem fechados à chave na prateleira mais alta do armário, à criança nem sequer lhe passará pela cabeça usá-los. Em vez disso, experimente colocar os materiais onde o seu filho os possa alcançar — numa prateleira baixa, à altura dele, ou em algumas caixas abertas:
- Materiais básicos de desenho, como papel, lápis de cor e tesoura
- Caixas de cartão, retalhos de tecido velho, tampas, botões
- «Tesouros» recolhidos na natureza, como pinhas, pedras e folhas
A magia está em os materiais não terem «um único fim». Uma caixa de cartão pode ser um carro num dia, uma nave espacial no seguinte e o abrigo de um gato no outro. Os materiais de uso livre permitem que a criança construa uma história nova de cada vez.
Oferecer alternativas calmas ao ecrã
Proibir os ecrãs por completo não é realista para a maioria das famílias — e também não é necessário. Mas quando o ecrã se torna a «única opção» fácil de alcançar, deixa a imaginação preguiçosa. A chave está em tornar as alternativas — tão apelativas como o ecrã, mas mais nutritivas — igualmente acessíveis.
Numa tarde calma, por exemplo, pode montar com o seu filho uma mesa de desenho ou para colorir. Transformar as suas próprias fotografias em páginas para colorir imprimíveis pode ser uma ponte encantadora que permite à criança reimaginar uma imagem familiar com as suas próprias cores; ferramentas como o Color the Picture oferecem um ponto de partida prático para este tipo de atividades calmas, depois do ecrã. O objetivo não é vencer o ecrã, mas puxar também uma cadeira, em pé de igualdade, para a imaginação.
As crianças aprendem imitando-nos. Se também você pousar o telemóvel de vez em quando e rabiscar algo num papel, elas perceberão — sem ser preciso dizer uma palavra — que «criar» tem valor nesta casa.
Levar a sério a obra da criança
Um desenho que uma criança rabiscou pode parecer-nos apenas umas quantas linhas. Mas, para ela, é o documento de uma história inteira. O respeito que mostramos pela sua obra transmite diretamente a mensagem: «O teu mundo imaginário é importante.»
Há formas simples de tornar isto concreto. Pode declarar um canto do frigorífico como «galeria» e trocar os desenhos com frequência. Ou pode dar valor à obra perguntando ao seu filho: «Contas-me?»; interessar-se pela história por trás do processo alimenta a criança muito mais do que dizer «Que bonito». Guardar alguns trabalhos preferidos numa pasta cria, além disso, um belo arquivo que fará os dois sorrir anos mais tarde.
Uma casa acolhedora, não perfeita
Por fim, lembre-se disto: o objetivo não é um quarto de criança perfeito como os do Pinterest. Alguma desarrumação, umas quantas manchas de tinta, uma torre por acabar no chão… são, na verdade, as marcas de uma criatividade saudável. A casa que alimenta a imaginação do seu filho não é aquela em que tudo está no seu lugar; é aquela em que o seu filho não tem medo de experimentar, de errar e de construir o seu próprio mundo.
Pode começar hoje com um pequeno passo: pôr umas folhas de papel e uns lápis de cor numa prateleira baixa, ou desligar os ecrãs esta noite durante meia hora para desenharem algo juntos. Com o tempo, verá que mundo tão rico estes pequenos gestos abrem dentro do seu filho.