Incutir o sentido de responsabilidade nas crianças desde tenra idade
Tem um filho que fica a olhar para a parede quando lhe diz «arruma o teu quarto», que deixa os sapatos no meio do corredor, que diz «já faço» e depois se esquece? Fique descansado: isto não significa que o seu filho seja indiferente. O sentido de responsabilidade não é inato; tal como andar ou falar, é uma competência que se aprende com o tempo e com paciência. A boa notícia é que pode ajudar o seu filho a desenvolver esta competência desde tenra idade, sem pressões e até com prazer.
A responsabilidade não cresce num dia, mas passo a passo
As crianças aprendem a responsabilidade pela experiência, não por ordens. Quando subimos a fasquia de repente e dizemos «a partir de agora fazes tudo sozinho», a criança sente-se sobrecarregada e recua. Em vez disso, imagine subir a escada degrau a degrau.
Uma criança de dois anos consegue atirar os brinquedos para um cesto. Uma de quatro consegue pôr os guardanapos na mesa. Uma de seis consegue preparar a própria mochila. Em cada idade há um degrau seguinte. O que importa não é o tamanho da tarefa, mas que a criança prove a sensação de «sou capaz». Essa sensação é o verdadeiro combustível da responsabilidade.
A responsabilidade não é um fardo que se coloca sobre a criança, mas uma mensagem de confiança que lhe é oferecida. É uma forma de dizer: «Confio em ti, tu consegues».
Comece com pequenas tarefas adequadas à idade
O maior erro é dar à criança tarefas que ela não consegue assumir ou, pelo contrário, fazer tudo por ela sem lhe dar nunca uma oportunidade. Para encontrar o equilíbrio, divida as tarefas diárias de casa em pequenas partes e crie um «trabalho só dela» de que a criança se possa apropriar.
- 2-3 anos: guardar os brinquedos na caixa, atirar as meias sujas para o cesto
- 4-5 anos: pôr as colheres na mesa, regar a planta do parapeito, levar o próprio prato para a cozinha
- 6-7 anos: fazer a cama, preparar a mochila, mudar a água do animal de estimação
Ao atribuir a tarefa, experimente dizer «este é o teu trabalho» em vez de «ajuda-me». A palavra «ajuda» faz a criança pensar que o trabalho é seu e transforma-a num assistente passageiro. Já quando diz «regar as flores é a tua tarefa», esse trabalho passa a fazer parte da identidade da criança.
Crie o hábito de terminar o que começa
No coração da responsabilidade está «terminar aquilo que se começa». As crianças começam muitas vezes uma tarefa com entusiasmo e depois deixam-na a meio. O seu papel aqui não é ralhar, mas ajudá-la a descobrir a satisfação de chegar ao fim.
As atividades calmas que se podem concluir sozinho são ótimas para este hábito. Por exemplo, deixar o seu filho terminar, do início ao fim, uma página para colorir escolhida por ele é um exercício de responsabilidade pequeno mas verdadeiro: começou, prosseguiu, concluiu. Com ferramentas como o Color the Picture, quando o seu filho transforma a sua própria fotografia numa página para colorir e a termina, mergulha numa ocupação calma, longe do caos dos ecrãs, e vive de forma concreta a sensação de «levar algo até ao fim». Pendurar a obra terminada no frigorífico ou expô-la na galeria coroa essa sensação.
Deixe-a errar e ver as consequências
A forma mais difícil, mas mais eficaz, de aprender responsabilidade é viver as consequências naturais. Se o seu filho se esqueceu de preparar a mochila e deixou o caderno em casa, em vez de correr à escola para lho levar, pode deixar que essa experiência lhe ensine algo. Claro que é importante fazê-lo com amor, sem acrescentar «estás a ver? Bem te disse!».
Quando somos superprotetores, sem darmos conta enviamos à criança a mensagem «tu não és capaz, eu trato disso». Mas o preço dos pequenos erros também é pequeno. A lição de um brinquedo esquecido aos cinco anos é muito mais leve do que o preço de uma responsabilidade esquecida aos quinze.
Dirija o elogio ao esforço, não ao resultado
Quando o seu filho concluir uma tarefa, em vez de «boa, és tão esperto», realce o esforço e o processo: «Arrumares o quarto sozinho foi mesmo caprichado» ou «Não te esqueceste um único dia de regar as flores, e isso é uma grande responsabilidade». Este tipo de resposta ajuda a criança a interiorizar o comportamento; começa a fazê-lo pela própria satisfação e não para receber elogios.
Lembre-se: dar o exemplo é o professor mais poderoso. Uma criança que vê um pai ou uma mãe cumprir com calma as suas responsabilidades e manter a palavra aprende a ver a responsabilidade não como um fardo, mas como uma parte natural da vida.
Tenha paciência. A criança que hoje aprende a arrumar os sapatos tornar-se-á amanhã num adulto que carrega com segurança a responsabilidade da sua própria vida. Cada pequena tarefa é um tijolo desse carácter forte.