Elogiar ou encorajar? Como motivar o seu filho da forma certa
Quando o nosso filho faz algo bonito, a primeira palavra que nos sai da boca é muitas vezes a mesma: «Muito bem!» Dizemo-la com amor, com a melhor das intenções. Mas os estudos dos últimos anos sobre o desenvolvimento infantil traçam um retrato mais subtil do que imaginamos sobre aquilo que realmente motiva uma criança. Elogiar e encorajar não são a mesma coisa — e essa pequena diferença molda em silêncio, a longo prazo, a confiança do seu filho em si mesmo. A boa notícia: para captar essa diferença não é preciso ser especialista nem pesar cada frase. Basta desviar um pouco a atenção.
O efeito secundário invisível do «muito bem»
Os elogios que apontam diretamente à identidade da criança — «és tão inteligente», «és fantástico», «és um génio» — soam muito bem. Mas, repetidos vezes sem conta, podem virar-se contra ela. Com o tempo, a criança torna-se dependente da aprovação alheia; faz as coisas mais para ouvir um «muito bem» do que pelo gosto de as fazer. E, mais importante ainda, num momento de dificuldade pensa: «Então afinal não sou assim tão inteligente.»
O resultado mais visível é este: as crianças a quem se diz que são inteligentes tendem a escolher tarefas fáceis para proteger esse rótulo, evitam errar e desistem depressa perante as dificuldades. Porque lhes ensinaram que o sucesso é uma questão de talento — quando aquilo que realmente queremos que aprendam é que o esforço compensa.
A linha ténue entre o elogio e o encorajamento
A diferença cabe numa só frase: o elogio foca-se no resultado e em quem a criança é, ao passo que o encorajamento se foca no processo e naquilo que a criança fez.
«Que belo desenho!» é um veredicto, e fica por aqui. Mas quando diz: «Como foste devagar e com que cuidado para não passar deste limite», mostra à criança o seu próprio esforço. Agora ela aprende a olhar para o seu trabalho em vez de olhar para a sua aprovação. Essa pequena mudança de rumo leva a motivação de fora para dentro.
A verdadeira motivação começa quando a criança aprende a continuar não para ouvir um «muito bem», mas porque reparou no seu próprio esforço.
Mude as suas frases com um pequeno toque
Não precisa de aprender uma língua nova; basta virar com suavidade as suas frases do costume:
- «Muito bem, ficou lindo» → «Esforçaste-te bastante para acabar este desenho, eu reparei.»
- «És um génio» → «Não desististe daquele puzzle difícil e no fim resolveste-o.»
- «És fantástico» → «Foste tu a escolher as cores — o que é que isso te fez sentir?»
- «Como és inteligente» → «Experimentaste outra maneira e resultou.»
- «Bravo, ficaste em primeiro» → «Todas estas semanas de treino deram frutos.»
Se reparou, a maioria das frases de encorajamento ou nomeia o esforço ou faz uma pergunta à criança. Fazer perguntas é particularmente poderoso: quando diz «Como fizeste esta parte?», deixa a avaliação nas mãos da própria criança. Assim ela aprende a pensar sobre o seu trabalho e a orgulhar-se dele.
Tornar visíveis o esforço e o processo
O encorajamento não espera pelos grandes momentos; a sua verdadeira força esconde-se nos pequenos detalhes dos dias comuns. Quando o seu filho constrói uma torre, observa um insecto no jardim ou termina uma página para colorir, nomeie em voz alta as suas escolhas: «Decidiste pintar primeiro a moldura», «Experimentaste misturar duas cores.»
As atividades criativas e de final em aberto são um terreno maravilhoso para estas conversas, porque não há uma resposta «certa», apenas as escolhas da criança. Sentar-se em conjunto numa tarde tranquila a colorir — seja com papel e lápis, seja com uma ferramenta pensada para crianças como o Color the Picture, que transforma uma foto numa página para colorir — dá ocasiões naturais para reparar no esforço. Pendurar a obra terminada do seu filho no frigorífico ou guardá-la numa galeria digital transmite também uma mensagem poderosa: «O teu esforço merece ser visto.» O que importa aqui não é a perfeição do resultado, mas que a criança sinta o processo como seu.
Então é proibido dizer «muito bem»?
De todo. O objetivo não é transformar-se num pai ou numa mãe tensos que fiscalizam cada frase. Dizer «muito bem» ou «gosto muito de ti» não faz mal à criança; basta não fazer disso a única ferramenta de motivação. Viva esse «uau!» que lhe sai do coração — e depois acrescente: «Como é que fizeste? Conta lá.» É esse pequeno acréscimo que transforma o elogio em encorajamento.
Lembre-se: o nosso objetivo não é criar uma criança ávida de aplausos, mas uma que avança movida pela própria curiosidade e não tem medo de errar. E o caminho passa não pelas frases perfeitas, mas por ver de verdade o esforço do seu filho. Fique hoje atento a uma oportunidade — vai ver: a luz nos olhos do seu filho no instante em que reparar dirá muito mais do que qualquer «muito bem».
