Guia de tempo de qualidade para pais que trabalham
Pequenos-almoços preparados à pressa de manhã, reuniões atrás de reuniões durante todo o dia, um regresso a casa exausto ao fim da tarde… Ser uma mãe ou um pai que trabalha anda muitas vezes de mãos dadas com a sensação de «não dou tempo suficiente ao meu filho». Deixe-nos dizer-lhe isto logo de início: essa culpa é, na verdade, a prova de quanto ama e de quanto quer ser um bom pai ou mãe. E há uma verdade reconfortante: aquilo de que as crianças se lembram anos mais tarde não é o número de horas que passaram consigo, mas o quão plenos e presentes foram esses momentos.
Neste artigo não lhe vamos dizer «tem de fazer isto». Vamos apenas partilhar alguns caminhos que vale a pena experimentar — daqueles que cabem mesmo numa vida atarefada.
A qualidade não se mede pela duração
Quando ouvimos «tempo de qualidade», imaginamos um dia inteiro livre, um passeio planeado. No entanto, aquilo de que o seu filho precisa é, muitas vezes, bem mais pequeno: quinze minutos sem interrupções em que esteja verdadeiramente «ali».
A palavra-chave aqui é «atenção». Uma hora com o telemóvel na mão vale menos do que dez minutos dedicados por inteiro ao seu filho. Pode experimentar isto: transforme os primeiros dez minutos ao entrar em casa num «ritual de transição». Ponha o telemóvel de lado, largue a mala, baixe-se ao nível do seu filho e pergunte: «O que foi o mais engraçado de hoje?». Essa pequena constância transmite-lhe a mensagem: «quando a mãe ou o pai chega a casa, veem-me mesmo».
As crianças medem o tempo não pelo relógio, mas pelos momentos em que se sentem parte de algo.
Oportunidades escondidas nas rotinas do dia a dia
Em vez de tentar criar tempo extra, pode transformar aquilo que já faz em momentos partilhados. Para isso não precisa de abrir espaço na sua agenda.
- Um ajudante na cozinha: enquanto prepara o jantar, dê ao seu filho uma pequena tarefa, como mexer a salada ou pôr a mesa. Basta que esteja ao seu lado.
- Conversas no caminho: aqueles cinco minutos de conversa a caminho da escola ou de carro até ao supermercado podem ser o momento mais sincero do dia.
- Três perguntas antes de dormir: «O que te fez rir hoje? O que foi difícil? O que te deixa curioso para amanhã?». Estas três perguntas abrem uma pequena porta para o mundo interior do seu filho.
O que estes momentos têm em comum é isto: estão todos escondidos dentro de um tempo que já existe. Basta olhar para eles com intenção.
Desligar o ecrã e criar algo em conjunto
Numa noite de cansaço é muito fácil dar um tablet à criança, e ninguém o pode julgar por isso. Mas, de vez em quando, fazer juntos algo calmo e criativo descansa a criança e cria entre vocês um belo vínculo — um que se forma mesmo sem falar.
Sentarem-se lado a lado a colorir é uma das formas mais fáceis de o conseguir. Não exige nenhum talento especial nem faz desarrumação. Pegue também numa folha e pinte ao lado dele; as crianças adoram ver que os pais também «brincam». Por exemplo, pode transformar uma fotografia preferida do seu filho numa página para colorir imprimível com o Color the Picture e pintá-la em conjunto. E pendurar o desenho terminado no frigorífico ou colá-lo na parede do quarto torna-se uma fonte de orgulho muito especial; a criança sente que o seu esforço foi visto. Atividades calmas como estas são também uma boa alternativa à tensão dos ecrãs antes de dormir.
Aproveitar o fim de semana sem forçar
Os pais que trabalham vivem por vezes o fim de semana sob a pressão de «compensar»; e tentar tornar cada minuto extraordinário cansa-nos a todos. No entanto, as crianças não querem programas perfeitos, mas sim pequenas tradições previsíveis.
As panquecas preparadas juntos no sábado de manhã, um filme visto em conjunto no domingo à noite ou uma volta rápida pelo parque… Estes rituais «só nossos» ficam na memória muito mais do que a atividade mais cara. E não tem de planear tudo; às vezes, deixar que se aborreça e brinque sem rumo lá por casa abre espaço à imaginação dela.
Não se esqueça de ter carinho também consigo
Por fim, recordemos aquilo que mais escapa: só se pode servir água de um copo cheio. Um pai ou uma mãe que se sente esgotado e em culpa constante, por mais que se esforce, não consegue transmitir paz.
Por isso, precisar de descanso, de uma curta caminhada ou de um café em silêncio não é egoísmo. Um dos melhores exemplos que pode dar ao seu filho é a imagem de um adulto equilibrado que cuida bem de si.
Lembre-se: não existe «pai perfeito». Existem apenas mães e pais cheios de amor que, hoje, tentam estar um pouco mais conscientes e um pouco mais «presentes» do que ontem. E isso é mais do que suficiente.